Microsoft anuncia processador quântico baseado em partícula teorizada há quase 90 anos
A Microsoft revelou um avanço tecnológico que promete redefinir os rumos da computação quântica: o Majorana 1, primeiro processador construído com base em partículas de Majorana. A inovação rompe com os modelos tradicionais ao empregar uma partícula que, segundo a teoria do físico Ettore Majorana, é simultaneamente partícula e antipartícula — característica que pode tornar os qubits mais estáveis e eficientes.
Fruto de 17 anos de pesquisa, o projeto envolveu a criação de um novo material e de uma arquitetura completamente distinta do que se utiliza hoje em computação quântica. A peça central da inovação é o chamado “topocondutor”, que funciona como semicondutor e supercondutor ao mesmo tempo. Essa tecnologia inédita permite manipular e observar as partículas de Majorana, tornando-as úteis para aplicações práticas em computação.
O anúncio foi publicado na respeitada revista científica Nature e celebrado por Zulfi Alam, executivo da Microsoft responsável pelo projeto. “Depois de 17 anos, estamos apresentando resultados que não são apenas incríveis, mas reais. Isso vai redefinir, de forma fundamental, como será o próximo estágio da jornada quântica”, declarou.
Enquanto outras gigantes do setor apostam em modelos mais instáveis e suscetíveis a erros, a Microsoft busca um caminho mais sólido e ousado. A estabilidade prometida pelos qubits de Majorana pode representar a diferença entre experimentos promissores e soluções verdadeiramente úteis no mundo real.
O Farol Diário acompanha de perto os desdobramentos dessa corrida tecnológica, que pode não apenas revolucionar a computação, mas também dar novo fôlego à inovação fora dos centros acadêmicos tradicionais e das diretrizes ideológicas cada vez mais presentes nas big techs.