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Lula critica Trump e promete retaliação tarifária: “Não é xerife do mundo”

Durante visita ao Japão, presidente brasileiro defende multilateralismo e ameaça retaliações se OMC não reverter tarifas impostas pelos EUA.

Lula desafia Trump e promete resposta comercial a tarifas dos EUA

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (27), em Tóquio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente as políticas comerciais adotadas pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. Demonstrando preocupação com a nova onda de tarifas impostas por Washington a produtos estrangeiros, Lula afirmou que o presidente americano “não é xerife do mundo” e cobrou diálogo multilateral para decisões dessa natureza.

A crítica foi motivada por recentes aumentos tarifários aplicados pelos EUA, especialmente contra países asiáticos como o Japão, e que podem atingir também exportações brasileiras. Segundo Lula, tais medidas ferem o princípio do livre-comércio e minam o multilateralismo. O petista defendeu que Trump “converse com governadores, presidentes e políticos de outros países” antes de adotar posturas unilaterais.

Lula anunciou que o Brasil deverá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas americanas. Caso não haja resultado satisfatório, o governo brasileiro retaliará com medidas de reciprocidade, incluindo taxação de produtos norte-americanos. “Espero que o Japão faça o mesmo”, declarou o presidente.

A visita de Lula à Ásia tem como foco a recuperação de laços comerciais. Em encontro com empresários brasileiros em Tóquio, o presidente destacou a queda no comércio bilateral com o Japão nos últimos anos e afirmou que pretende recuperar US$ 6 bilhões em volume de transações. Segundo ele, o comércio entre os dois países caiu de US$ 17 bilhões, em 2011, para US$ 11 bilhões atualmente.

Na sexta-feira (28), Lula seguirá para o Vietnã, onde se encontrará com os principais líderes do país. O objetivo é estreitar relações com uma economia emergente que, na visão do governo brasileiro, pode se tornar um parceiro estratégico em setores como agronegócio e energia. As ações fazem parte do esforço do Planalto em diversificar os mercados e reduzir a dependência de blocos como os EUA e União Europeia.

O Farol Diário seguirá acompanhando a agenda internacional do presidente e os desdobramentos das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

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