Câmara arquiva pedido de cassação de Janones por ‘Rachadinha’ em meio a confusão

Parlamentar se livra de investigação graças a parecer de Boulos; sessão é marcada por acusações de favorecimento e tumulto

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados arquivou, por 12 votos a 5, o pedido de cassação do deputado André Janones (Avante-MG) por suspeita de “rachadinha”, prática ilegal de desviar parte dos salários de assessores. O relator do caso, deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), recomendou o arquivamento, gerando críticas de que estaria protegendo um aliado político em meio a uma sessão tumultuada.

A votação ocorreu na fase de admissibilidade, que decide se as investigações devem prosseguir. O áudio que fundamenta a acusação foi divulgado pelo portal “Metrópoles” e revela Janones pedindo a assessores que repassassem parte de seus salários, supostamente para recompor seu patrimônio após a tentativa frustrada de eleger-se prefeito de Ituiutaba (MG) em 2016 e para financiar futuras campanhas. Apesar disso, Boulos argumentou que os fatos ocorreram antes do atual mandato, o que isentaria Janones de julgamento pelo Conselho de Ética.

Durante a sessão, Boulos evitou entrar no mérito das acusações e focou em aspectos técnicos para justificar o arquivamento, alegando que cabe ao Poder Judiciário, e não ao Legislativo, punir crimes ocorridos antes do atual mandato. Críticos, porém, acusam Boulos de agir politicamente para proteger Janones, uma figura influente na esquerda e importante na campanha de Lula em 2022.

Janones, em sua defesa, alegou que o áudio foi editado e descontextualizado, afirmando que se tratava de contribuições voluntárias de seu grupo político. Ele também atacou seus opositores, especialmente os bolsonaristas, chamando-os de “burros” e acusando-os de tentar manipulá-lo politicamente ao expor votos nas redes sociais.

O pedido de arquivamento foi duramente criticado pela oposição. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), por exemplo, insistiu na continuidade do processo, alegando que o surgimento de novas denúncias em 2023 justificava a investigação durante a legislatura atual. A decisão de arquivar o caso levanta questões sobre o tratamento desigual de casos similares e a proteção de parlamentares influentes por aliados políticos.

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